ENEM/Questão 26 de 2024

Linguagens · Variação linguística e preconceito linguístico

ENEM 2024, questão 26: gabarito e resolução

Enunciado

São Bernardo Graciliano Ramos — Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fale dessa forma! Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os cacos da sua pequenina vaidade e replicou amuado que um artista não pode escrever como fala. — Não pode? — perguntei com assombro. E por quê? Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode. — Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia. Nesse fragmento, a discussão dos personagens traz à cena um debate acerca da escrita que

Fonte: RAMOS, G. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2009 · ENEM 2024, INEP

  1. A

    diferencia a produção artística do registro padrão da língua.

  2. B

    aproxima a literatura de dialetos sociais de pouco prestígio.

  3. C

    defende a relação entre a fala e o estilo literário de um autor.

  4. D

    contrapõe o preciosismo linguístico a situações de coloquialidade.

  5. E

    associa o uso da norma culta à ocorrência de desentendimentos pessoais.

Resposta direta

A alternativa correta da questão 26 do ENEM 2024 (Linguagens) é a D, conforme o gabarito oficial do Inep.

Resolução comentada

Por que a D é a certa

Nomeia exatamente esse choque: o preciosismo linguístico de Gondim contra a coloquialidade que Paulo defende.

A ideia da questão

Entender qual é o choque de ideias entre Paulo e Gondim sobre o jeito de escrever.

Passo a passo

  1. Paulo diz que o texto de Gondim está "pernóstico" (afetado, cheio de pose) e que ninguém fala daquele jeito na vida real.

  2. Gondim se defende: "um artista não pode escrever como fala". Para ele, literatura pede uma linguagem enfeitada, diferente da conversa do dia a dia.

  3. Os dois lados do debate são a escrita rebuscada (preciosismo) contra o jeito natural de falar (coloquialidade).

Para não cair de novo

Quando o enunciado fala em "debate", procure a alternativa que mostra os dois lados em oposição; a que mostra um lado só costuma ser distrator.

Por que as outras parecem certas, mas não são

  • A.

    Parece certa porque Gondim separa "arte" e "fala". Mas o debate não é sobre a norma padrão (a gramática correta), e sim sobre o exagero de enfeite: dá para escrever na norma padrão sem ser pernóstico.

  • B.

    Parece certa porque Paulo quer escrever "como se fala". Mas ninguém no trecho fala de dialetos de pouco prestígio; a briga é sobre artificialidade.

  • C.

    Parece certa porque é o que Paulo deseja. Mas o trecho mostra um conflito, não uma defesa: Gondim nega a relação. A questão pede o debate, não um lado só.

  • E.

    Parece certa porque há briga de verdade ("Vá para o inferno, Gondim"). Mas a briga nasce do texto pernóstico, não do uso da norma culta em si.

Fonte: prova do ENEM 2024 e gabarito oficial do Inep. A resolução foi escrita com IA e conferida com o gabarito. Atualizada em 14 de outubro de 2026.

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